Advogada de blogueira vai recorrer da sentença que absolveu empresário da acusação de estupro

A banca de advogados que defenda a blogueira e influencer Mariana Ferrer, 21 anos, vai recorrer da decisão do juiz Rudson Marcos, da 3ª Vara Criminal de Florianópolis, que absolveu o empresário paulistano André Aranha, 43 anos, acusado de estuprar a vítima nas dependências do beach club Café de la Musique, em dezembro de 2018.
A decisão de inocentar o empresário do estupro de vulnerável saiu na quarta-feira. A advogada de Mariana, Jackie Francielle Anacleto, confirmou que o grupo de advogados que defende a blogueira já está estudando o recurso para dar entrada no início da próxima semana.
A advogada explica que Mariana ficou indignada com o resultado do julgamento. “Imagina uma vítima que sofre o que ela sofreu e ter este tipo de resultado, para ela é muito triste”, comenta.
A absolvição do acusado, segundo a decisão do juiz, foi por ausência de “provas contundentes nos autos a corroborar a versão acusatória”. Jackie diz que a tese jurídica defendida pelo juiz é minoritária e de culpabilização e diminuição da vítima. “Eu não sei qual a dúvida que inteirou em favor do réu nessa situação. No crime de estupro só o depoimento da vítima já é o suficiente para uma condenação”, argumenta.
A defensora justifica que no processo, além do depoimento da vítima, há o resultado do exame pericial que confirma que havia sêmen do acusado nas roupas íntimas de Mariana, presença de sangue e a ruptura do hímen, indicando que Mariana era virgem. Há ainda imagens da câmera de segurança no momento em que André e Mariana sobem à escadaria que dá acesso ao camarim onde Mariana teria sido estuprada.
Jackie opina que o caso de Mariana vem sendo marcado por sucessivos de erros, desde o registro do caso na delegacia. Na audiência de julgamento desta semana, houve a mudança do promotor de Justiça que instruiu todo o processo para aquele o que fez as alegações finais e a audiência e que pediu que o réu fosse inocentado.
O promotor Thiago Carriço de Oliveira, que fez audiência, segundo a advogada, entendeu que o réu mentiu, que houve o estupro, mas que não houve o dolo – ou seja, não houve intenção do empresário de estuprar Mariana. “A gente não concorda com isso. A vítima não estava bem”, comenta, explicando que ela tinha sido dopada. Mariana diz que tomou uma dose de gim com água e que após isso começou a passar mal. Ela acredita que alguma substância foi colocada na sua bebida.
A advogada reforça que desde o início Mariana mantém o mesmo depoimento. “Nem o depoimento da vítima o magistrado levou em conta”, lamenta. Desde o início, Mariana revelou que de um certo momento da noite em diante, ela não lembrava mais o que tinha acontecido. “Ao chegar em casa, ela tinha sangue e cheiro forte de esperma. O sêmen na calcinha correspondeu ao do acusado, mostrou o exame da perícia. Ele alegou que eles trocaram carícias com a permissão dela, e que a denúncia não passa um “golpe” da vítima. Mas como pode ser um golpe, se ela nem sabia a identidade dele?!”, diz Jackie. A advogada reforça que quem chegou à identidade do empresário foi a polícia Civil durante a investigação.
Jackie também argumenta que o fato de o empresário ter mudado de versão várias vezes durante o processo não foi avaliado pelo juiz. “Primeiro, ele negou que tivesse chegado perto de Mariana. Depois indicou que houve carícias. Já na audiência, ele alegou que não teve relação sexual com ela, mas como não teve, se houve rompimento do hímen?!”, questiona.
Jackie ainda reforça que a maioria das testemunhas ouvidas pela justiça estava ligada ao Café de la Musique. “O único depoimento que era de uma testemunha, comprometida com a verdade, foi o do motorista do Uber, mas esse depoimento foi considerado irrelevante para o juiz. O motorista do Uber confirma que ela estava drogada”, justifica.
A advogada ainda diz que o laudo toxicólogo feito pelo IGP em Mariana foi inconclusivo, e não negativo como alegou a defesa do empresário. Segundo ela, os peritos explicaram que as drogas sintéticas são muito diversas e por isso o laudo foi inconclusivo.

Festa pra comemorar sentença
Pra advogada o fato mais revoltante foi que funcionários do beach club Café de la Musique fizera uma festa, dois dias antes da sentença judicial, com o nome “Vem de golpe. Eu vou de vítima”, para comemorar a absolvição antecipada do empresário. A insinuação seria que Mariana estaria tentando dar um golpe, porque André um empresário esportivo famoso em São Paulo.
A advogada Jackie também move um processo contra o Café de La Musique. Ela quer a responsabilização civil do beach club pelo ocorrido. Outro processo movido pela advogada é sobre ataques virtuais sofridos por Mariana. “Os funcionários do beach club criaram um grupo de Whats menosprezando e diminuindo a vítima. Os responsáveis pelos ataques já foram identificados”, informou.




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