As razões da Grécia para atuar rapidamente contra pandemia

Atenas, 20 Mar 2020 (AFP) – A Grécia reagiu rapidamente ao coronavírus como forma de evitar sobrecarregar os seus hospitais, debilitados após uma década de crise, além de impedir uma propagação incontrolável aos acampamentos de migrantes, já lotados, como apontam analistas.

“Nossa prioridade é salvar vidas e a saúde pública, por isso adotamos medidas extraordinárias (…) para limitar a propagação do vírus antes de outros países europeus”, disse o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, na última terça-feira.

Desde que registrou a sua primeira morte, no último 12 de março, e com apenas 117 casos de covid-19, o governo grego impôs uma série de medidas drásticas: fechamento de escolas, universidades, cinemas, teatros, museus, sítios arqueológicos, bares, restaurantes, lojas e hotéis.

Desde o último domingo, os viajantes que chegaram do exterior devem permanecer em quarentena por 14 dias, e as multas chegam a EUR 5 mil no caso de alguma violação das medidas.

Nesta sexta-feira (20), uma semana depois das medidas serem aplicadas, o novo coronavírus causou oito mortes e contaminou 495 pessoas na Grécia, país de 10,7 milhões de habitantes.

“A Grécia adotou medidas a tempo”, explica Kyriakos Suliotis, professor de política da Universidade do Peloponeso, à AFP.

Não restava ao país outra opção a não ser “reagir rapidamente antes que os casos se multiplicassem e que os hospitais ficassem superlotados. O seu sistema de saúde, com problemas crônicos, ficou muito debilitado após a crise da dívida”, ocorrida entre 2010 a 2018, observa Penny Zorzu, especialista em doenças infecciosas, da ilha de Chios.

“O objetivo é ganhar tempo com medidas severas para evitar a súbita multiplicação de casos do coronavírus”, e evitar um colapso do sistema de saúde, acrescenta Zorzu.

Durante a crise, os cortes aos gastos públicos e a saída de milhares de gregos para o exterior, entre eles inúmeros médicos, impactaram profundamente o sistema público de saúde, que ainda busca se recuperar.

“O país apenas dispõe da metade da média europeia do número de leitos nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTI)”, explica Kyriakos Suliotis.

Os hospitais necessitam de funcionários e de material essencial de saúde. Os especialistas também alertam para a falta de testes para detectar o vírus.

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“Bomba para a saúde”

Mitsotakis disse que a Grécia está “no início de uma batalha que será difícil, principalmente nos próximos dois meses”.

O primeiro-ministro criticou os países “que se recusaram a tomar medidas” contra o coronavírus.

No entanto, Mitsotakis decidiu de forma muito rápida pedir aos cidadãos que ficassem em casa, como forma de “deixar que o sistema de saúde tenha mais tempo para se ocupar dos casos urgentes”.

Para compensar as lacunas no setor, o governo anunciou a contratação de 2.000 médicos e outros funcionários da saúde para atuarem por dois anos, além de ter ofertado outros 1.900 leitos suplementares em um hospital próximo a Atenas.

A Grécia também se preocupa com os inúmeros migrantes que permanecem em acampamentos em seu território. Seria uma verdadeira “bomba” para a saúde, disse o porta-voz do governo, Stelios Petsas.

Até o momento, nenhum caso de coronavírus foi registrado nos acampamentos.

Foram impostas nessa semana restrições em relação ao deslocamento dos refugiados, que só podem se deslocar em pequenos grupos e em horários definidos. As visitas aos acampamentos foram reduzidas.




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