O drama venezuelano não muda a retórica da ditadura de Nicolás Maduro. Ao contrário. Para justificar o colapso das suas forças de segurança, ele resolveu apontar o dedo para o presidente Jair Bolsonaro. Uma base militar no sul do país, região fronteiriça a Roraima, foi atacada. “Terroristas” teriam sido apoiados por indígenas para roubar armas, incluindo 100 fuzis. O ministro da Comunicação venezuelano, Jorge Rodríguez, acusou o Brasil de estar por trás da ação. No Twitter, disse que os criminosos “foram treinados em acampamentos paramilitares plenamente identificados na Colômbia, e receberam a colaboração ardilosa do governo de Jair Bolsonaro”.

A acusação contra o brasileiro é apenas cortina de fumaça. Os militares brasileiros são claramente contra qualquer intervenção. O vice-presidente, Hamilton Mourão, tem ligações fortes inclusive com militares do país. Bolsonaro tem errado em quase tudo na sua política externa, mas na crise da Venezuela tem seguido os conselhos da ala militar de seu governo, para o bem dos dois países. Apontar o dedo para o presidente brasileiro é apenas propaganda interna para desviar a atenção da população venezuelana em relação ao colapso promovido pela ditadura do país.

A decomposição venezuelana continua. Num final de ano catastrófico para a economia e a saúde da população, o governo montou vários enfeites com luzes decorativas importadas da China, autocracia que ainda financia o regime. O recurso revoltou a população, que vive às voltas com falta de energia elétrica, mesmo habitando o país com as maiores reservas de petróleo do mundo. O regime, que tem o apoio do PT, só não caiu pela mão de ferro do ditador. Mas balança. Culpar o Brasil, além de ridículo, é só sinal de desespero.

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