Brasileira homenageada no CSGO com nova skin da Glock, AMD crava: ‘Sim, mulheres podem’

A Valve anunciou na noite da última terça-feira (31) a mais nova atualização para Counter-Strike: Global Offensive. Algo protocolar em meio à rotina da comunidade, mas que trouxe uma grande surpresa: a skin de uma Glock inspirada na jogadora AMD e feita por um estúdio brasileiro. É a primeira vez na história do CSGO que um brasileiro é homenageado assim dentro do jogo.

A Glock Bullet Queen é uma das 17 skins que compõem a caixa Prisma Case 2. A arte foi produzida pelo estúdio 2Minds, nos traços de Luiza McAllister e Thiago Lehmann. Na hora do lançamento, AMD estava em live jogando CSGO e não acreditou quando começaram a chegar as mensagens falando sobre a novidade.

“Do nada entrou um monte de gente na minha live floodando isso no chat”, respondeu a jogadora em entrevista exclusiva ao ESPN Esports Brasil. “Achei que era troll, até mesmo por causa do primeiro de abril. Eu tava fazendo live há tanto tempo que nem sabia que horas eram… Achei que estavam me trollando, saca.”

A jogadora precisou conferir com os próprios olhos mesmo com a partida de CSGO em andamento e não deu conta de tanta gente mencionando o perfil dela no Twitter. “Estava com mais de 100 notificações, e a primeira notificação que vi foi a do Gau [Gaulês, streamer]. Mano… Eu não consegui controlar e comecei a chorar na live.”

As lágrimas tinham motivo, isso porque a skin não era apenas uma vitória pessoal da jogadora com passagens por Black Dragons, BootKamp Gaming, Vivo Keyd e outras equipes na carreira. Trata-se de uma vitória para todas as mulheres dos esports, como a própria AMD ressaltou. “A Glock Bullet Queen tem um sinal de silêncio. Significa muito que não importa o quanto as pessoas falem que não podemos estar ali… Nós podemos sim!”

As palavras de AMD ganham força quando se olha para a carreira dela. Ela é uma das jogadoras mais reconhecidas do cenários feminino, com passagens por BootKamp, Vivo Keyd e outras equipes. Inclusive, ela esteve na line-up feminina da Black Dragons que disputou a última temporada do Campeonato Brasileiro de Counter-Strike (CBCS). Ela sabe do peso que carrega enquanto jogadora profissional de CSGO.

“Da mesma forma que pode existir um cara incrível, pode existir uma rainha”, cravou AMD, mas com o entendimento de que isso vai além dela. “Eu não tô me colocando nessa posição, mas a Glock Bullet Queen fala muito sobre isso: sim, mulheres podem! É algo como ‘Peraí, fica um pouquinho quieto porque esse assunto de que a gente não tem que estar aqui não é bem assim’.”

Também em contato exclusivo com a reportagem, Luiza McAllister reforçou o que a imagem de AMD representa para o cenário de esports. “Escolhi a AMD porque ela sempre foi uma inspiração! Gosto da atitude dela, do que representa na comunidade e como foi super querida com a gente na Blast de SP. Adoro seu conteúdo além do CSGO também.”

É por isso que, nas palavras de AMD, a dupla deu “esse match”. “A Lu sempre disse que o fato de eu me posicionar era importante para a comunidade. E ela queria fazer algo representando mais mulheres. Ela abraça essa causa junto comigo. É um papel muito importante que ela faz porque desde que a Lu chegou no mundo das skins da Valve, acho que toda menina se sente mais representada.”

DO ESBOÇO PARA O CSGO

Questionada sobre o processo de criação da skin, AMD respondeu que tudo foi muito rápido. Ou melhor, tudo foi “muito louco”. De acordo com a jogadora, a ideia partiu da designer num contato pelo WhatsApp. “Quando a Lulu me procurou, ela disse: ‘Olha, vou fazer uma skin inspirada em você, nessa foto aqui’. Coisa de um mês já estava pronto. ‘Olha o que você acha’. Aí eu surtei quando ela me mandou.”

Luiza detalhou todo o conceito em cima da skin. “Essa coleção é chamada War Maidens. Eu e o Thiago fizemos todas as armas com suas musas. Cada uma delas tem seu próprio esquema de cor e personagens. Todas são feitas pelo mesmo processo em que desenhamos os concepts e depois pintamos com mais exatidão. No caso, a AMD sabia que ia ter uma surpresa, mas só mostrei a [versão] final mesmo.”

Tudo finalizado, em agosto, começou a campanha das duas para que a Glock Bullet Queen fosse lançada oficialmente dentro do server. Ela havia sido disponibilizada dentro da oficina do Steam para votação aberta.

AMD fez questão de reforçar a correria que foi toda essa novidade para ela na época. “Eu demorei até um pouco para digerir. Mas aí começamos a correr para divulgar. Todo mundo na minha stream me ajudou imensamente.”

E a jogadora precisou lidar com a ansiedade para que o sonho se tornasse realidade. “Mesmo assim esperando tanto tempo, nunca perdi a esperança que a Glock fosse pro ar. Não sei explicar, é muito louco…”

“Sabe quando você tem certeza de um bagulho? Eu tinha certeza de que ela ia pro jogo”, relembrou com um tom até mais emocionado na voz. “Com isso tudo acontecendo, agora vem tudo a cabeça de novo… Eu falando pra mim mesma que isso iria acontecer um dia. E agora to vivendo isso” Tá sendo muito louco. Tá sendo muita loucura.”

É DO BRASIL

Se a ficha ainda não caiu para AMD, Luiza já tem mais experiência no assunto. É a sexta skin que a designer emplaca no FPS da Valve. Inclusive, a Prisma Case 2 dentro dessa atualização mais recente trouxe dois trabalhos dela de uma só vez.

Além da Glock Bullet Queen, a caixa de novidades também veio com a MAG-7 Justice. Antes, McAllister foi responsável também pelas artes de AK Imperatriz, AWP Mortis, M4 Imperador e Mac 10 Perseguidora.

Claro que, mesmo assim, o sentimento é sempre “indescritível”, como comentou McAllister. “Ainda não acreditamos. Nessa case tem a glock e a mag-7. A mag foi feita com nosso time inicial (eu, Thiago, Ana @Zaphk e Arthur @Onilolz), o time que criou a coleção tarot. É muito incrível ver a aceitação do público e da própria Valve, nós somos muito gratos por todo apoio e reconhecimento.”

AMD é fã declarada do trabalho de Luiza. “Tenho muito carinho por ela. Admiro imensamente o trabalho dela, conheci ela faz um ano. E a conheci pelos trabalhos dela, como a AK Imperatriz, antes mesmo de a vê-la pessoalmente. Eu não tinha algo que me representava ali dentro [do jogo], mas aí veio a Lu.”

Não à toa, AMD estava totalmente tranquila quanto ao resultado final da Glock Bullet Queen. “Ela é muito perfeita no que faz. Eu acho incrível o trabalho dela. Ainda assim, ela foi me mandando esse processo da evolução da arte. E, cara, a cada hora que ela me mandava eu ia achando mais incrível ainda. Eu tenho tudo aqui salvo, são coisas que salvo com muito carinho.”

E quanto aos próximos passos de Luiza McAllister, ela já sabe quais são. Por mais que a designer queira homenagear outras jogadoras do cenário, o foco do trabalho na próxima leva será outro. “Temos que fazer coleções diferentes agora.”

“Tentar explorar outros estilos, pois isso tem dado certo. Estamos trabalhando em uma nova skin, mas, antes disso, lançaremos uma nova coleção de adesivos para o pessoal votar. Tenho postado spoilers no Twitter.”

TIRANDO ONDA

Eternizada no universo de CSGO, AMD agora só quer curtir o sonho realizado e espera que muita gente adquira a skin – principalmente os amigos mais próximos. Ela, porém, acredita que o valor da Glock Bullet Queen possa estar “um pouquinho cara”, então por isso não irá cobrar que todos.

Na verdade, tem uma pessoa sim que terá obrigação de ter a skin. “Eu acho que é o mínimo o Raafa [namorado de AMD e jogador da W7M] ter essa skin”, respondeu aos risos.

“Mas se você for uma pessoa que adquiriu essa Glock, por favor, me manda foto, me marca, porque quero participar disso. Eu quero ver. Não tem sensação melhor do que acompanhar tudo isso acontecendo, é uma coisa que está muito louco na minha cabeça.”

A jogadora, inclusive, está preparando uma surpresa para os seus seguidores. “Estou prevendo sorteios sim. Estou entrando em contato com uma parceria, que no momento não posso falar mais detalhes, mas espero que todo mundo goste. É com muito carinho que estamos fazendo isso.”

O entusiasmo é claro. “Só vou acreditar quando pegar no jogo.” Maior do que esse sentimento, porém, é a esperança de que a mensagem foi, enfim, passada. “Eu só quero que as pessoas entendam a importância disso. Não só pelo fato de ter sido inspirada em mim, mas também em ter sido inspirada numa mulher, numa brasileira.”

“O tamanho disso é surreal, vai além de alimentar meu ego. De achar que, ‘aaaaaaah, sou eu’, saca? Minha felicidade maior é por ser BR, mulher e poder representar meninas dentro do jogo. Isso pra mim é o auge.”




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