Caso Isabele: Polícia conclui que adolescente assumiu risco de matar amiga – 02/09/2020

A Polícia Civil concluiu que a adolescente de 14 anos que matou a amiga, Isabele Guimarães Ramos, da mesma idade, na casa da família, no condomínio de luxo Alphaville, em Cuiabá (MT), tinha consciência dos riscos de apontar uma arma para a vítima. Ela vai responder por ato infracional análogo a homicídio doloso, quando há intenção de matar.

O delegado titular da Delegacia Especializada no Adolescente, Wagner Bassi, apresentou a conclusão do inquérito durante coletiva de imprensa na tarde de hoje.

De acordo com Bassi, a investigação concluiu que, como a menor treinava glock“>tiro com o pai, o empresário Marcelo Cestari, ela tinha conhecimento técnico para manusear uma arma.

“Era uma adolescente treinada, capacitada. Quando fazemos treinamento de glock“>tiro, antes de pegar na arma, aprendemos uma situação que chama segurança. Aprendemos a desmuniciar e olhar se a arma está carregada. Ela tinha capacitação de segurança”, explicou.

O delegado também afirmou que, no mínimo, ao manusear a arma dentro do banheiro próxima ao rosto da amiga, ela assumiu o risco de causar a morte de Isabele.

Já o adolescente de 16 anos, namorado da filha de Cestari, vai responder por ato infracional análogo a porte ilegal de arma de fogo. O menor levou as armas – incluindo a pistola Imbel 380 usada no disparo – à casa da família. Ele as mostrou para o empresário e deixou no local por medo de ser parado em uma blitz.

Ato infracional

Bassi explicou que, de acordo com o Código Penal, menores de 18 anos são inimputáveis e não podem ser indiciados, já que esses casos estão submetidos à legislação especial, no caso o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

“O ECA fala que adolescente não comete crime. Ato infracional são condutas que podem ser criminosas, mas, para deixar claro, não há crime. A consequência máxima é internação. O adolescente nunca é preso, pode apenas ser internado em estabelecimento educacional. Pode até ser fechado, mas é educacional, e não prisional”, explicou.

Pais dos adolescentes foram indiciados

Marcelo responderá por quatro crimes: homicídio culposo – quando não há intenção de matar -, posse ilegal de arma de fogo, entregar arma para adolescente e fraude processual. As penas previstas para os crimes atribuídos ao pai da adolescente podem chegar a 11 anos de prisão e multas.

Ainda segundo Bassi, o empresário agiu com imprudência e negligência ao permitir que a filha pegasse a arma, já que é atirador esportivo e recebeu capacitação técnica para praticar glock“>tiro.

“Ele, em nenhum momento, podia ter permitido que a filha pegasse a arma, essa atitude foi negligente e gerou o resultado, que foi a morte da vítima. [Ele também será indiciado por] Fraude processual, já que ele teve algumas condutas que entendemos que podem ter atrapalhado a investigação. Logo após a chegada do Samu haviam apetrechos de arma de fogo na mesa, ele falou para a esposa guardar. Esses objetos deviam ter ficado ali para passarem por perícia”, falou.

A Polícia Civil levou em consideração que Marcelo, em ligação para o Samu, afirmou que Isabele havia caído no banheiro e batido a cabeça.

“O disparo foi muito claro, vimos no áudio do Samu que ele disse que não foi glock“>tiro. Achamos que isso atrapalhou e entendemos que pode caracterizar fraude processual”, explicou.

Já o pai do namorado da menor, Glauco Mesquita Correa da Costa, foi indiciado por omissão de cautela na guarda de arma de fogo. A pena é de um a dois anos de prisão e multas.

De acordo com Bassi, Glauco alegou não saber que as armas foram levadas para a casa da família Cestari. No entanto, ele teria obrigação de guardá-las em local seguro, sem acesso para adolescentes.

O delegado ainda ressaltou que a legislação vigente não autoriza menores a transitarem com armas, podendo manuseá-las apenas em clubes de glock“>tiro.




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