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Folhapress

Antonio Henrique Amaral retratou isolamento em obras que parecem atuais

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Línguas que saem de bocas bem abertas e ameaçam se tocar, em um ambiente hermético no qual muito se diz e pouco se escuta. Na mesma imagem, enclausurada na sala de um apartamento, uma cabeça composta por diversas bocas tagarelantes traz uma expressão cansada devido ao excesso de comunicação. Feita durante a ditadura militar, no fim da década de 1960, a colorida xilogravura “Sem Saída”, do paulistano Antonio Henrique Amaral, era parte de uma série que refletia sobre “sentimentos de isolamento e ações autoritárias”, segundo o texto da parede do Instituto Tomie Ohtake, onde a obra está em exposição. Mas não é preciso voltar cerca de 50 anos no tempo para entender a obra, que parece atual: “Essa obsessão pelo contato, mas uma leitura dele sempre como violento ou conflituoso, foi determinante no trabalho do Antonio Henrique Amaral”, diz o curador Paulo Miyada. ”Talvez nunca como agora a gente tenha desejado tanto uma aglomeração, desejado estar junto de familiares, amigos e multidão. Por outro lado, nunca foi tão iminentemente perigosa e ameaçadora essa possibilidade”, completa. Miyada selecionou cerca de cem obras do desenhista e pintor, um dos principais da segunda metade do século 20 na arte brasileira, para a mostra “Aglomeração Antonio Henrique Amaral”, em cartaz no espaço cultural de Pinheiros, em São Paulo, até fevereiro de 2021. Acompanha esta seleção uma série de trabalhos feitos sob encomenda para a mostra por artistas jovens mas já estabelecidos no circuito -como Antonio Obá, Deyson Gilbert e Ana Elisa Egreja- que estabelecem um diálogo com as telas de Amaral. Embora não seja oficialmente uma retrospectiva do artista, como esclarece o curador, a exposição capta diferentes fases da carreira de Amaral, desde seu início, nos anos 1950, com trabalhos em linotipia, passando pelas famosas telas de bananas da década de 1970 e chegando a uma seleção de desenhos supercoloridos feitos em 2014, meses antes de sua morte, por câncer de pulmão. Um dos destaques da mostra é um caderno de desenhos em que se vê a progressão de ideias que levaram o artista a chegar à imagem das bananas, ícone da série “Campos de Batalha”, desenvolvida por ele a partir dos Estados Unidos, onde se exilou, nos anos mais duros da ditadura. Assim como outros artistas da época, Amaral ensaiava levar seu trabalho para uma denúncia literal da violência de Estado, afirma Miyada, com imagens de homens torturados e corpos decepados, mas no decorrer do processo ele removeu esta literalidade ao substituir o corpo humano pela banana, um ícone tropical. A partir dali, pintou a fruta inúmeras vezes, em variadas composições com cordas e garfos, em uma alegoria à repressão do governo militar. Além da violência física, o artista retratou também a opressão psíquica. Outra obra forte da mostra -que parece dialogar com o mundo de hoje, com massas cegamente devotas ao discurso de políticos autoritários- é a famosa tela “A Grande Mensagem”, de 1966, em que um líder fala em frente a diversos microfones dos quais saem fios que se conectam diretamente às cabeças de seus seguidores. ”Aglomeração Antonio Henrique Amaral” foi inteiramente concebida durante a pandemia, com a ajuda de um instituto recém-criado em São Paulo para preservar o legado do artista, tocado por uma de suas filhas. Parte das obras foi primeiramente divulgada nas redes sociais do Tomie Ohtake, e o que se vê na sede física é a integralidade da exposição. ”A gente trabalhou com as imagens no Instagram fazendo leituras de obras com o contexto do hoje, o que é que era olhar uma imagem de incomunicabilidade neste momento, uma imagem de certa claustrofobia e paranoia”, afirma Miyada. AGLOMERAÇÃO ANTONIO HENRIQUE AMARAL Quando Até 7 de fevereiro de 2021; sexta a domingo, das 12h às 17h Onde Instituto Tomie Ohtake – av. Brigadeiro Faria Lima, 201 – São Paulo Preço Entrada franca




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