Em Manaus, viúva não quis dividir herança, vendeu armas e tramou roubo

Após a descoberta da trama, a polícia conseguiu recuperar 36 armas | Foto: Daniel Landazuri

Manaus – Objetos de um inventário que tramita na Justiça, as 108 armas, que faziam parte do acervo de coleção do ex-coronel da Polícia Militar, Fernando Valente, que faleceu em 2018, foram vendidas de forma ilegal no mesmo ano da morte dele.

E, para tentar enganar os outros herdeiros, a viúva, uma mulher de 42 anos, a filha de 24 anos, e a companheira dela de 25, tramaram um roubo, mas não conseguiram despistar as investigações policiais. 

O delegado Cicero Túlio, titular da Delegacia Especializada em Roubos e Furtos de Veículo (DEFRV), que coordenou a operação “Néphila”, a viúva era a responsável pelo processo de inventário  e queria, junto com a filha, se beneficiar sozinha do patrimônio antes de haver autorização judicial e a aprovação dos outros familiares que teriam direito aos lucros dos bens.  

“Elas visavam, com base na falsa comunicação de crime, influenciar nas decisões proferidas no processo e nos pareceres lavrados pelo Ministério Público, fazendo com que o juiz acreditasse que as armas tinha sido, de fato, subtraídas durante o suposto roubo”, explicou Cicero Túlio.

Veja a entrevista com o delegado 

Para tentar dificultar as investigações, as suspeitas teriam usado até aplicativos de espionagens para evitar que conversas fossem interceptas pelas policias. Elas planejaram apagar atos comprometedores dos telefones. E combinaram discrição quanto assuntos tratados pelo celular para não levantar suspeitas sobre os fatos. 

Após a descoberta da trama, a polícia conseguiu recuperar 36 armas. Cicero informou que diversos atiradores desportivos, que compraram parte do armamento, há dois anos, foram ouvidos na delegacia e comprovaram a boa-fé na aquisição das armas vendida clandestinamente pela viúva. 

“Conseguimos levantar informações que a viúva chegou a vender a mesma arma para mais de uma pessoa, que teve lucros com essa prática criminosa.”, disse. 

O titular da DERFV destacou as investigações irão continuar

O titular da DERFV destacou as investigações irão continuar | Foto: Daniel Landazuri

As autoras responderão por falsa comunicação de crime, fraude processual, associação criminosa, falsidade ideológica e estelionato. Porém, a Justiça negou o pedido de prisão temporária das três.

A polícia conseguiu cumprir apenas os mandados de busca e apreensão. No total, três celulares, três notebooks utilizados pelas mulheres foram apreendidos.

O titular da DERFV destacou as investigações irão continuar para tentar identificar a participação de outros envolvidos e recuperar o restante do arsenal.

As pessoas que adquiriram os armamentos devem procurar imediatamente a delegacia especializada, para realizar entregas das mesmas, ou poderão responder processo de receptação e, caso sejam atiradores desportivos, poderão perder o Certificado de Registro de Colecionador, Atirador Esportivo e Caçador, inclusive com remoção de eventuais armas que faças parte dos seus acervos. 

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