Justiça decreta prisão de suspeitos de matar jovem na zona sul de SP – 17/08/2020 – São Paulo

A Justiça decretou a prisão preventiva do sargento da Polícia Militar Adriano Fernandes de Campos, 41 anos, suspeito de envolvimento na morte de Guilherme Silva Guedes, 15 anos, ocorrida em 14 de junho, em Americanópolis (zona sul da capital paulista).

O ex-soldado da PM Gilberto Eric Rodrigues, 32, é apontado como o segundo suspeito pelo assassinato do adolescente. Apesar de foragido e procurado pela polícia, ele também teve a prisão decretada, por tempo indeterminado.

Rodrigues fugiu do presídio militar Romão Gomes, em 2015. Ele estava preso por suposta participação em outro assassinato, ocorrido dois anos antes. Ele trabalhava no 37º Batalhão da PM, na zona sul. As informações são do DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa).

Já Campos está em uma carceragem do presídio militar, na zona norte de São Paulo, desde 17 de junho. Ele alega inocência, segundo seus advogados de defesa. A decisão da Justiça em decretar a prisão dos dois suspeitos ocorreu no fim da semana passada.

O sargento foi indiciado por homicídio qualificado logo após prestar depoimento, no início da tarde de 9 de julho, no DHPP. O policial ficou calado, segundo informações de membros da sua defesa. De acordo com o delegado Rodolpho Chiarelli, do departamento de homicídios, o policial suspeito da morte do jovem responde por homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima), da mesma forma que o ex-PM.

Sete pistolas pertencentes a policiais militares foram entregues ao DHPP, em 17 de junho, incluindo duas armas pertencentes ao sargento Adriano Fernandes de Campos. Segundo laudo do Instituto de Criminalística, ao qual a reportagem teve acesso, os tiros que mataram o adolescente não foram disparados pela arma do policial.

O caso

O adolescente Guilherme Silva Guedes foi morto com ao menos dois tiros na cabeça após ser abordado por dois suspeitos armados em Americanópolis quando estava em frente à casa da avó materna. A informação consta em um laudo necroscópico entregue por peritos ao DHPP.

O adolescente teria sido confundido com uma pessoa que invadiu um galpão onde uma empresa do sargento é responsável pela segurança.

O corpo dele foi encontrado, por volta das 9h30 de 14 de junho, no limite entre a zona sul de São Paulo e Diadema (ABC), com tiros na cabeça. Ele, no entanto, teria sido morto em outro local, antes de seu corpo ser abandonado no terreno onde foi localizado.

Segundo registrado pelo DHPP, o corpo do adolescente estava calçado somente com meias brancas. “Vale consignar que o solado das meias brancas que a vítima calçava estavam parcialmente limpos, apesar de o corpo ter sido encontrado em uma região de terra, valendo consignar também que seu par de tênis não foi encontrado”, diz trecho do documento policial.

Ainda de acordo com o departamento de homicídios, nenhum projétil de arma de fogo foi encontrado perto do cadáver, indicando que ele teria sido morto em outra região.

A morte do garoto provocou dois dias de protestos em Americanópolis, com ônibus queimados e vandalizados, um comércio foi furtado.

Vídeos com imagens de policiais militares agredindo moradores da Vila Clara, que fica na região, foram divulgados nas redes sociais. Segundo pessoas que moram no bairro, as imagens foram gravadas um dia após a primeira onda de protestos.




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