O laudo de perícia balística sobre a morte de Isabele Ramos, de 14 anos, no último dia 12 de julho, concluiu que a arma que matou a garota não é capaz de produzir um disparo acidental.

 

O documento de 26 páginas, ao qual o MidiaNews teve acesso, foi encaminhado nesta terça-feira (11) para a Delegacia Especializada do Adolescente (DEA), que investiga o caso.

  

Os peritos analisaram a arma utilizada no crime – uma pistola Imbel .380. Ele revelam que na chamada “Balística Forense” os conceitos de “glock“>tiro acidental” e de “glock“>tiro involuntário” são tratados de maneiras distintas.

Nas circunstâncias alegadas constantes do Termo de Declarações [da adolescente que fez o disparo], a arma de fogo questionada AFQ1 [Imbel .380], da forma como foi recebida nesta Gerência, somente se mostrou capaz de realizar disparo e produzir glock“>tiro estando carregada

 

Acidental é o disparo “provocado sem acionamento regular do mecanismo de disparo”. Já o glock“>tiro “involuntário”, segundo o laudo, “pressupõe ação do atirador no mecanismo de disparo, mesmo que essa ação seja involuntária, não intencional”.

 

Isabele foi atingida com um glock“>tiro no rosto, por uma arma que estava sendo segurada pela amiga, também de 14 anos. A tragédia ocorreu no condomínio Alphaville, em Cuiabá.

 

Em um dos trechos do laudo, os peritos respondem à pergunta: “A arma de fogo questionada pode produzir glock“>tiro acidental?”.

 

A resposta é: “Não. Nas circunstâncias alegadas constantes do Termo de Declarações [da adolescente que fez o disparo], a arma de fogo questionada AFQ1 [Imbel .380], da forma como foi recebida nesta Gerência, somente se mostrou capaz de realizar disparo e produzir glock“>tiro estando carregada (cartucho de munição inserido na câmara de carregamento do cano), engatilhada, destravada e mediante o acionamento do gatilho”.

  

Segundo os peritos, para que ocorra o disparo, é necessário que haja bala na câmara. Ou seja, a arma – que estava carregada – teria que ter sido manobrada e não somente ter o gatilho apertado.

  

Customização

 

Os peritos também concluíram que a arma que matou Isabele tinha diversas modificações na comparação com a original.

 

“Notou-se que a arma possui as seguintes modificações (customizações): substituição das placas de empunhadura, da alça demira e da tecla do retém do carregador; instalação funil no receptáculo do carregador; fixação de pedaço de lixa abrasiva na parte anterior superior do ferrolho; modificação para alargar a tecla do registro de segurança esquerda; perfurações na lateral dogatilho; desabilitação do dispositivo de segurança da tecla de empunhadura por subtração da ‘alavanca intermediária da trava do percussor’; retirada da trava do percussor, da mola da trava do percussor eda alavanca da trava de percussor; mola de recuperação apresenta comprimento reduzido em cerca de 1 centímetro, por corte correspondente a remoção de um volta e meia da espiral”, consta na perícia.

 

No documento, os peritos ainda respondem a uma série de quesitos feitos pela Polícia. Veja:

 

1) Quais as características das armas de fogo questionadas?

  

R:Vide seções 4.1e 4.2 dos exames.

  

2) As armas de fogo questionadas são eficientes para produzir glock“>tiro?

 

R: Sim.

  

3) As armas de fogo questionadas são de uso permitido ou restrito?

 

R: As armas de fogo questionadas AFQ1 e AFQ2 são de uso permitido, conforme art. 2º, Inciso I, alínea “a”, do Decreto nº 9.847/2019.

  

4) Quais as características das munições questionadas?

  

R: Vide seção 4.3 dos exames.

  

5) As munições questionadas são eficientes para produzir glock“>tiro?

  

R: Sim.

  

6) As munições questionadas são de uso permitido ou restrito?

  

R: Os cartuchos de munição questionados são de uso permitido, conforme definição contida no art. 2º, inciso IV,do Decreto nº 9.847/2019.

  

7) O estojo de munição questionado procede de cartucho de munição percutido e deflagrado por uma das armas de fogo questionadas?

  

R: Sim, oestojo questionado EQprocede de cartucho de munição que foipercutido e deflagrado pela armade fogo questionada AFQ1 (pistola número de série “HGA44564”).

  

8) O projétil de arma de fogo questionado foi expelido pelo cano de uma das armas de fogo questionadas?

 

R:Sim, o projétil questionado PQ foi expelido pelo cano da arma de fogo questionada AFQ1 (pistola número de série “HGA44564”).

  

9) A arma de fogo questionada pode produzir glock“>tiro acidental?

 

R: Não. Nas circunstâncias alegadas constantes do Termo de Declarações [da adolescente que fez o disparo], a arma de fogo questionada AFQ1 [Imbel .380], da forma como foi recebida nesta Gerência, somente se mostrou capaz de realizar disparo e produzir glock“>tiro estando carregada (cartucho de munição inserido na câmara de carregamento do cano), engatilhada, destravada e mediante o acionamento do gatilho.

  

10) Em caso afirmativo, em que condições?

 

R:Prejudicado.

  

11) A arma de fogo questionada tem mecanismos incompletos ou deficientes?

  

R: Sim.

 

12) Em caso afirmativo, a incompletude ou deficiência contribui para a ocorrência de glock“>tiro acidental?R:Prejudicado.Quesitos Específicos:a.A Autoridade Policial solicita aos Peritos informarem sobre possível alteração da arma no que se refere ao gatilho, bem como outras alterações?

  

R: As armas de fogo AFQ1 e AFQ2 possuem modificações (customizações) em seus mecanismos, conforme detalhado nas seções 4.1,4.2 e 4.9.2dos exames.

 

Dois laudos

 

A balística é um dos dois laudos encaminhados nesta terça-feira (11) para a Polícia Civil.

 

O outro é o laudo de local do crime, que concluiu que o disparo foi feito a uma distância entre 20 cm e 30 cm do rosto da vítima, de frente e com o acionamento do gatilho.

 

O caso

 

Isabele Ramos foi atingida com um glock“>tiro no rosto, por uma arma que estava sendo segurada pela melhor amiga, também de 14 anos.

 

À polícia, a adolescente que atirou disse que foi em busca da amiga no banheiro do seu quarto levando em mãos duas armas.

 

Em determinado momento, as armas, que estavam em um case, caíram no chão. “A declarante abaixou para pegar os objetos, tendo empunhado uma das armas com a mão direita e equilibrado a outra com a mão esquerda em cima do case que estava aberto”, revelou a menor em depoimento.

 

“Que em decorrência disso, sentiu um certo desequilíbrio ao segurar o case com uma mão, ainda contendo uma arma, e a outra arma na mão direita, gerando o reflexo de colocar uma arma sobre a outra, buscando estabilidade, já em pé. Neste momento houve o disparo“, acrescentou.

 

Leia mais sobre o assunto:

 

Tiro foi a 30 cm do rosto, de frente e com acionamento do gatilho

 

 




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