O que é Arte Marcial? – Portal Armas de Fogo

Palavra muito usada mas que poucos sabem o que realmente significa. O conjunto de técnicas chamadas “artes marciais” é facilmente usado para designar lutas competitivas, com regras estabelecidas, um cenário controlado por juízes e pontuadores e não muito difícil com alguma platéia, pequena e presencial até grande e virtual pela cobertura da mídia.

Mas afinal de contas, por que recebe este nome?

Vamos partir do início para começarmos a entender o básico, ou seja, o que é arte e o que é marcial. Arte significa “talento para fazer” ou “saber fazer algo”, através do trabalho humano que incorpora harmonia e beleza em sua confecção, por isso chamamos de arte desde as esculturas em pedras até o uso do nosso corpo para movimentar-se de forma eficiente para um determinado objetivo, que neste caso é o de fazermos a guerra, por isso “marcial” que vem do deus romano Marte, entidade responsável pela excelência na idéia de subjugar inimigos através do enfrentamento. Por isso com o passar dos séculos, essas diversas filosofias que moldavam nossas mentes para que nossos corpos fossem capazes de aplicar técnicas, cujo objetivo é tornar nosso inimigo completamente subjugado, foi denominado arte marcial.

Então toda luta é arte marcial, certo?

A resposta é bem simples: não. Mas é preciso uma breve explicação adicional sobre isso para que não se confundam as coisas nem que “lutas” sejam subestimadas. Toda arte marcial é uma luta, mas nem toda luta é uma arte marcial. Toda luta visa subjugar o oponente, porém, a diferença pra arte marcial, é que em uma luta nós temos regras, temos acordos firmados antes do confronto, temos freios diversos – como morais (fé) e sociais (repúdio) – assim como geralmente os confrontos são feitos em ambientes controlados, como um ringue. Já a arte marcial é o termo designado para todo o conjunto de técnicas que se aplica visando também subjugar o inimigo, mas diferente da luta, quanto mais regras e freios existem, menor é a eficiência da nossa arte. O objetivo de um lutador é se destacar pelo seu empenho e ser o campeão na categoria em que competiu ou treinou. O artista marcial tem como objetivo fazer guerra com excelência.

Aqui fica fácil de entender a diferença entre ambos: somente em um há regras e isso faz uma baita diferença na aplicação de cada arte ou luta. Um artista marcial talvez tenha dificuldades em um campeonato cujo regras proíbem várias de suas ações, e talvez um lutador não explore todas as opções que realmente existem num caso de defesa pessoal pois está condicionado por vários anos a “jogar limpo” e ser “moderado”.

Então um lutador não é tão bom quanto um artista marcial?

Não é bem por aí. Apenas em teoria podemos dizer que sim, uma vez que o lutador treina dentro de um pacote de regras que limitam seu treino aos golpes que são permitidos por essas regras e por isso, o condicionamento será automático, o seu treino focará nos golpes permitidos e com o passar do tempo treinando somente estes, os que são considerados “golpes baixo” nunca ou quase nunca farão parte da nossa memória muscular. Um bom exemplo é o pisão na cabeça quando um inimigo cai aos nossos pés. Lutadores não treinam isso, apesar de ter a certeza de haver alguma brincadeira ou outra entre amigos de “sacanear” fingindo pisar. A falta de seriedade em considerar quebrar o crânio ou a coluna do adversário de forma rápida e precisa cria naturalmente um limite na arte da guerra. Um artista marcial não treina com essas limitações do que pode ou não dentro de suas guerras, ele treina para fazer o que o nome diz.

Entretanto, isso não impede que um lutador seja excelente no que aprendeu e seja capaz de detonar seu oponente caso assim precise. Os golpes de um lutador em praticamente todo o tempo são os mesmos de um artista marcial, por vezes até muito mais eficientes pois ele também busca a excelência de combate pois quer ser o melhor para si mesmo ou para o grupo que pertence durante um campeonato. Ambos são devidamente treinados, focados e perigosos se confrontados. Então mesmo que um lutador não busque memorizar e se condicionar com alternativas não-ortodoxas em uma luta moderna, como furar olhos ou atacar oponentes pelas costas, visando a maior eficiência de combate com o menor esforço possível, seus golpes e sua vontade não devem ser subestimadas, jamais. Para concluir o quão poderoso um lutador é sem deixar espaço para más interpretações, basta lembrar que ambos – lutador e artista marcial – possuem o mesmo ponto de origem: subjugar seu oponente.

Por que quase não existem artistas marciais hoje?

Existem, mas não vivemos mais no mundo de 2000 anos atrás onde o conflito mortal entre indivíduos e suas tribos eram rotineiras e extremamente próximas. A mudança da humanidade tornou as artes marciais mais restritas aos operadores de segurança, que por força de lei ainda enfrentam limites como o lutador enfrenta as regras, e estudantes de defesa pessoal. A vertente esportiva hoje toma forma pedagógica, ou seja, faculdade que ensina diversas pessoas em especial crianças a desenvolverem disciplina, controle, paciência, atenção, respeito, honestidade, trabalho em equipe, força de vontade, saúde física e preparação corporal. Que é a mesma base do treinamento, pelo menos inicial, do artista marcial.

A luta ainda mantém a sua natureza marcial, que visa o trabalho conjunto e inseparável da mente, corpo e espírito, mesmo que haja limites na aplicação em um alvo de todas as técnicas possíveis, e isso é o que faz a luta ser uma opção tão boa seja para esporte ou defesa.

O que deveríamos chamar de arte marcial hoje é chamado de defesa pessoal e atrai os interessados em fazer o necessário para se defenderem de inimigos, não se preocupando com os populares “golpes proibidos” ou “desonrados” pois fora do ringue, o que importa é vencermos nosso oponente e ficarmos vivos e bem, custe o que custar, logo, só existe uma desonra: falhar na defesa da nossa vida e de entes queridos.

Então neste ponto podemos afirmar que a diferença se encontra basicamente no preparo mental e isso vai refletir no ambiente em que se pretende usar suas técnicas, sendo uns no ringue, outros na rua, uns visando o troféu e superação, outros a própria vida. Cada um possui maior eficiência de aplicabilidade em seu respectivo conjunto (rua x esporte), mas o ponto é que não são exclusivos, ou seja, um pode interagir com o outro sem problemas pois são duas faces da mesma moeda: subjugar o oponente.




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