Operação Midnight Climax: drogas e sexo para controlar mentes

Fundado em 1942, o Escritório de Serviços Estratégicos foi a primeira inteligência dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial e o responsável por estabelecer um programa de “drogas da verdade”, cujo objetivo era descobrir uma substância que faria os indivíduos revelarem segredos.

Com a sua extinção e o nascimento da Agência Central de Inteligência (CIA) em 1947, a obsessão pelo controle de mentes continuou. A potência norte-americana estava preocupada com a possibilidade de estar ficando para trás no ramo e de ser espionada pelo Bloco Oriental, afinal, eles descobriram que métodos de lavagem cerebral estavam sendo usados durante a Guerra da Coreia.

O então diretor da CIA, Allen Dulles, aprovou o pedido de Sidney Gottlieb, chefe da Divisão Química de Serviços Técnicos da CIA, para a criação de um programa de testes de LSD como potencial substância no controle de mentes e lavagem cerebral chamado MK-ULTRA.

A “ameaça vermelha”

(Fonte: GeoPol Intelligence/Reprodução)

Entre 1953 e 1973, o programa desenvolveu mais de 150 experimentos em seres humanos envolvendo drogas alucinógenas, terapia de eletrochoque e paralisia. Apenas uma parcela ínfima das pessoas que foram submetidas aos estudos sabia do que estava participando. A maioria era sequestrada à luz do dia ou atraída até universidades, hospitais, prisões ou galpões espalhados pelos Estados Unidos e pelo Canadá, onde os experimentos aconteciam de modo secreto.

A cidade de São Francisco, nos EUA, acabou se tornando o berço de estranhezas do país. As ruas testemunharam algo genuíno, como o nascimento da televisão norte-americana, enquanto os becos e as vielas conheceram desde o fanatismo religioso de Henry Yamaguchi em 1910, membro de um culto xintoísta que assassinou a família Kendall para construir um novo templo, até o culto criado por Jim Jones.

(Fonte: Boing Boing/Reprodução)

Na primeira metade do século XX, pesquisadores psíquicos da religião Mazdaznan de Berkeley e Oakland, que acreditavam que o Paraíso poderia ser alcançado através da respiração harmoniosa apropriada e do condicionamento mental, foram tidos como insanos, mas o governo se rendeu a crenças similares envolvendo estudos da mente.

Usando bebidas alcoólicas, maconha e LSD para nocautear as cobaias e convencê-las a falar, não demorou muito para que o MK-ULTRA ficasse mais ambicioso e adicionasse o sexo a um dos ramos de experimentos. Em meados de 1955, no apogeu da Guerra Fria, em um antigo edifício localizado no número 225 da rua Chestnut, no lado norte da vizinhança de Telegraph Hill, em São Francisco, eles estabeleceram a sede do que chamaram de Operação Midnight Climax.

O bordel da mente

George Hunter White (Fonte: Secrets of Manhattan/Reprodução)
George Hunter White. (Fonte: Secrets of Manhattan/Reprodução)

O objetivo da operação era usar garotas de programa para atrair os homens mais pobres que passavam as noites nos bares de North Beach para o que os agentes da CIA chamavam de “o bloco”. O local tinha uma pitoresca aparência de bordel francês, decorado com gravuras de Henri de Toulouse-Lautrec, fotos de dançarinas de cancan e mulheres em práticas sexuais de bondage. Havia espelhos bidirecionais instalados por toda a parte, para que os agentes observassem os seus “espectros” enquanto a droga fazia efeito.

A CIA queria saber como o sexo poderia ser usado para convencer alguém a falar. “Descobrimos que os homens estavam focados apenas nas necessidades hormonais. Eles não estavam pensando na carreira ou em qualquer outra coisa naquele momento”, apontou George Hunter White em um relatório das primeiras observações.

Por isso, ele e os outros agentes passaram a se perguntar se fazer com que as mulheres oferecessem algum serviço sexual extra funcionaria e acabaram concluindo que o período após a relação sexual era considerado o mais eficaz. Os homens esperavam que as mulheres fossem embora logo, mas quando elas diziam que ficariam mais algumas horas eles se tornavam emocionalmente mais vulneráveis.

(Fonte: Alchetron/Reprodução)
(Fonte: Alchetron/Reprodução)

As mulheres que trabalhavam na operação eram pagas em chits, um dinheiro simbólico que elas poderiam usar para obter favores judiciais. Gottlieb sabia que o esquema financeiro era perigoso, tanto que indicou em um dos arquivos da operação que “Devido à natureza altamente nada ortodoxa dessas atividades e ao considerável risco incorrido por esses indivíduos, é impossível exigir que eles forneçam um recibo para esses pagamentos ou que indiquem a maneira exata pela qual os fundos foram gastos”.

Os relatórios oficiais da época tinham uma linguagem vaga e burocrática acerca dos encontros promovidos entre as mulheres e as cobaias. Em um dos documentos, Gottlieb descreveu que “Certos indivíduos (as garotas de programa) administrariam secretamente este material (as drogas) a outras pessoas (os homens desconhecidos) de acordo com as instruções (que eram dadas por White)”.

Uma óbvia conclusão

(Fonte: BuzzWorthy/Reprodução)
(Fonte: BuzzWorthy/Reprodução)

O local onde a Operação Midnight Climax acontecia foi um sucesso tão grande que a equipe da MK-ULTRA abriu outra locação depois da ponte Golden Gate, no condado de Marin, que também foi supervisionada pelo agente White. Além disso, os experimentos secretos de doping se estenderam além dos homens que eram atraídos pelas garotas de programa, e os cientistas do MK-ULTRA passaram a enviar para São Francisco qualquer droga que tivessem medo de testar.

A operação foi encerrada em 1965 depois que o inspetor-geral da CIA acabou descobrindo os experimentos. Como a agência destruiu a maioria dos arquivos do projeto MK-ULTRA, é impossível identificar a extensão dos danos causados na vida e na mente das pessoas que foram ilegalmente submetidas às obscuras pesquisas.

Ainda que nenhum dos experimentos tenha alcançado algum objetivo significativo, a CIA deu continuidade às suas missões para explorar a mente humana e em 1970 criou o Projeto Stargate para Controle de Mentes, que só serviu para gastar milhares de dólares em uma busca igualmente sem fundamento.




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