Pupilo de Pinochet e Médici, Bolsonaro treinou polícia chilena

Documentos obtidos pelo portal UOL, dos golpistas da Folha de S.Paulo, mostram que o governo ilegítimo de Bolsonaro, junto aos militares brasileiros, criaram guia com orientações à polícia chilena para conter os constantes protestos ocorridos no país latinoamericano. Resultado disto foi a barbárie implementada pelos carabineros contra a população chilena.

O protestos no Chile, que causaram grande abalo político não apenas ao país, mas em todo continente, foram reprimidos com altíssimas doses de violência contra os manifestantes. Milhares de prisões ilegais, assassinatos, lesões corporais e amputações ocorreram devido a ação truculenta de policiais e militares chilenos.

Os militares chilenos, assustados com a radicalização dos protestos, queixaram-se aos seus pares brasileiros sobre como os governos civis haviam diminuído a capacidade dos órgãos de repressão, principalmente em relação ao período da ditadura de Pinochet no país. A reunião, que deu-se em Brasília, serviu também para que os militares do Chile pedissem ajuda ao serviço de inteligência brasileiro, a fim de identificar agentes estrangeiros por trás dos protestos.

Fazendo do ambiente um hospício, os militares brasileiros, ouvindo as vozes em suas cabeças, levantaram as mais absurdas e ridículas hipóteses, como a participação do magnata George Soros, do Foro de São Paulo e de um “movimento globalista”.

A polícia chilena, conhecida como carabineros, também procuraram auxílio do governo ilegítimo do Brasil – através do Ministério de Justiça, a época, controlado pelo agente imperialista Sérgio Moro – sobre como os aparelhos de repressão brasileiros lidavam com os protestos, especialmente sobre as armas utilizadas pelas polícias militares e Força Nacional de Segurança (FNS) para confrontar manifestantes. Os carabineros estavam sofrendo forte pressão interna e externa pelo uso indiscriminado de balas de elastano (balas de borracha), que, em apenas um mês, cegaram parcialmente 222 pessoas.

Os brasileiros, então, elaboraram documento com relatos e estratégias utilizadas para reprimir a população. As técnicas e táticas implementadas pelas instituições de repressão do Brasil tem inspiração na escola alemã. Neste tipo de abordagem, o confronto é iniciado com demonstração de força para baixar o moral dos manifestantes. Caso a abordagem inicial não leve à desistência dos manifestantes, inicia-se o combate a partir de uma distância que permita a segurança, principalmente, das tropas de choque.

A atuação repressiva no Chile estava em tal ponto que até mesmo relatórios da Organização das Nações Unidas (ONU), que frequentemente fazem vista grossa para ações repressivas do Estado, constataram ações completamente desmedidas. Foram relatados torturas, maus-tratos e estupros contra manifestantes presos arbitrariamente.

Também foi avaliado “uso desnecessário e desproporcional de armas menos letais”. E, aí, é interessante perceber que é comum o uso errôneo do termo “armas não-letais”. Na verdade, armas como teasers (armas de choque), gás de pimenta e balas de borracha são ainda letais, mesmo que menos que balas comuns. Deste modo, seu uso pelo aparelho de repressão representa um enorme risco à população.

A diplomacia brasileira foi orientada, em reunião do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), em novembro de 2019, a fazer uma crítica feroz aos manifestantes chilenos.

Na mesma época, o fascista Jair Bolsonaro, em visita à China, chamou os manifestantes chilenos de terroristas.

Já o Itamaraty mostrou, como já esperado, apoio irrestrito aos fascistas chilenos e à repressão dos manifestantes. A diplomacia brasileira colocou, em seu discurso, que os protestos tinham como objetivo desestabilizar o país e a democracia. Pois fica claro que trata-se de uma cooperação entre fascistas, do Brasil e do Chile, para conter as massas e, deste modo, evitar uma convulsão social no continente.

A situação na América Latina é a mais tensa possível. Há pelo menos sete anos, o continente encontra-se em situação de polarização acentuada, muito pelo resultado da crise capitalista de 2008, que provocou desaceleração da economia mundial, e pela incapacidade dos governos nacionalistas em gerenciar esta crise.

Para lidar com este cenário, o imperialismo, especialmente o norteamericano, trabalhou para derrubar os governos nacionalistas de esquerda, impedindo que, de alguma maneira, se radicalizassem junto às massas. Foram implementados golpes e fraudes eleitorais das mais diversas, como o impedimento de Dilma Rousseff, a prisão de Luís Inácio Lula da Silva, a deposição violenta de Evo Morales, a perseguição política a Rafael Correa, as eleições de Sebastián Piñera, Jair Bolsonaro, Lenin Moreno e Mauricio Macri.

É de se esperar que os governantes fascistas do continente, fiéis aos seus patrões imperialistas, cooperem para sua manutenção no poder. Para isto, utilizarão todo aparato de inteligência que têm à disposição para reprimir as massas e perseguir seus adversários políticos.




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