Rápido comparativo entre os calibres .380 ACP e 9mm

Quando pensei em trazer este texto para vocês, minha ideia foi adaptá-lo a realidade brasileira. Porque? Bom, nós não somos os Estados Unidos e algumas coisas simplesmente não encaixam por aqui quando o assunto é armas de fogo. Pois bem, o fato é que ambos os calibres são populares aqui, o .380 desde o advento do Estatuto do Desarmamento e o 9mm, após a portaria 51 lá em 2016 para atiradores esportivos e desde meados de agosto de 2019 para o público em geral, após ter sido alterada sua categoria de calibre restrito para calibre permitido.

O calibre .380 ACP, também conhecido como “9mm Curto”, “9mm Short”, “9mm Browning” foi introduzido ao mundo lá em 1908 pela Colt, com o propósito de ser usado em armas para defesa pessoal. E o 9mm foi introduzido em 1902 para ser usado em armas alemãs fabricadas pela Deutsche Waffen und Munitionsfabriken, responsável pela gloriosa Luger P08.

Em ambos os casos, temos dois calibres que, se usados com excelência, poderão trazer resultados perfeitos para o propósito ao qual foram criados. E para começar nosso rápido comparativo, segue uma tabela recheada de informações:

.380 ACP 9mm
Criador John Browning Georg Luger
Diâmetro do Projétil .355 in (9.01 mm) .355 in (9.01 mm)
Tipo de Estojo Sem aro e reto Sem aro e cônico
Diâmetro do Pescoço .373 in (9.5 mm) .380 in (9.65 mm)
Origem Estados Unidos Império Alemão
Pressão Máxima 21,500 psi (148 MPa) 34,000 psi (235 MPa)
Diâmetro da Base .374 in (9.5 mm) .391 in (9.93 mm)
Diâmetro do Aro .374 in (9.5 mm) .392 in (9.96 mm)
Espessura da Borda .045 in (1.1 mm) .035 in (0.90 mm)
Comprimento do Estojo .680 in (17.3 mm) .754 in (19.15 mm)
Comprimento Total .984 in (25.0 mm) 1.169 in (29.69 mm)
Velocidade 1.050 FPS 950-1.400 FPS
Usado em Pistolas; Pistolas; Revólveres; Carabinas; Submetralhadoras
Penetração 9′ 8-40′
Ano de Produção 1908 1902
Uso Por civis Por civis e militares
Variantes Não possui variantes 9 mm NATO; 9×19mm Parabellum;

 

Quem usa esses calibres no Brasil?

No Brasil, mesmo com o advento da Portaria 1.222 de 12 de agosto de 2019, que alterou significativamente os parâmetros de aferição e listagem de calibres nominais de armas de fogo e das munições de uso permitido e restrito, ainda é bastante comum vermos armas no calibre .380 ACP nas mãos de civis e até mesmo de forças de segurança pública, como as Guardas Municipais espalhadas pelo país.

Ainda que em outros países tal calibre seja considerado como “backup”, ou seja, calibre destinado a uma arma secundária, de apoio, para ser utilizada caso a munição da sua arma principal acabe, no Brasil, ela ainda é amplamente utilizada como arma principal de defesa.

Não podemos falar muito sobre o seu uso em armas de tamanhos reduzidos, pois por causa da legislação alucinada sobre armas de fogo, temos armas full size no calibre .380 ACP, o que é absolutamente bizarro se formos comparar com os Estados Unidos, por exemplo.

Já o calibre 9mm, é a opção de inúmeros departamentos de polícia nos Estados Unidos, também é opção de calibre de unidades de forças especiais de diversas nações, pois pode ser usado tanto em armas compactas, de uso velado com grande quantidade de disparos disponíveis, quanto como em armas full size para o dia-a-dia de trabalho ostensivo. Hoje, no Brasil, algumas unidades policiais já possuem intenção de trocar o famigerado .40 S&W pelo 9mm, porém esbarram constantemente nos valores exagerados e na burocracia intransponível.

No âmbito civil, o calibre 9mm já habita os clubes de glock“>tiro e tem feito grandes adeptos.

E o custo?

Segundo a tabela de preços da CBC, uma caixa com 50 unidades de munição Gold Hex EXPO +P de 85gr de .380 ACP é vendida por R$ 453,00, enquanto a caixa com 50 unidades de NTA EOOG de 95gr é vendida por R$ 193,56.

No 9mm, as munições equivalentes, também em caixas com 50 unidades, Gold Hex +P+ de 115gr é vendida por R$ 444,62, enquanto a NTA EOOG de 124gr é vendida por R$ 205,34.

Esses valores podem e, com certeza, sofrerão reajustes com certa frequência, mas servem de parâmetros básicos para se ter uma noção dos valores praticados pela indústria nacional, o que nos leva a certeza que as munições importadas chegarão para nós em lojas especializados em preços parecidos ou superiores.

E as performances?

Não vamos nos aprofundar muito no tema balística terminal, pois não é esse o objetivo da publicação, mas é notorio que a energia do .380 ACP é inferior a energia do 9mm. Se colocarmos na balança, a velocidade máxima exercida pelo .380 ACP é 1.050 FPS e isso representa 40% menos do que a entregue pelo calibre 9mm.

E apesar da perda destrutiva, o .380 ACP tem certa vantagem por ter menos recuo e a recuperação de visada ser mais rápida, tornando-o mais preciso em um combate aproximado, levando em consideração que a maioria dos confrontos armados ocorrem numa distancia de 10 metros entre os “oponentes”.

Justiça seja feita, com um pouco de treino e adaptação ao calibre, você terá a mesma proficiência com o calibre 9mm.

E a precisão?

Conforme mencionamos acima, como o calibre .380 ACP tem menos energia e menos recuo, ele se torna mais preciso numa situação de confronto ou no clube de glock“>tiro, exigindo menos do atirador para manter os disparos cadenciados no alvo.

Cá entre nós, a precisão dos disparos contam muito mais com a habilidade do atirador, concorda?

E a penetração?

Em testes balísticos do YouTube e de órgãos especializados, chegou-se a conclusão que o calibre .380 ACP tem capacidade de penetrar em média 9′ e o 9mm tem capacidade de penetrar em média 13′ (esse dado varia quando o 9mm é testado em carabinas e submetralhadoras).

Claro que há uma infinidade de variáveis que devem ser levadas em consideração em uma informação desse tipo, então vamos considerar que estes testes foram feitos com pistolas com canos de comprimentos iguais.

Se tiver interesse em se aprofundar sobre a balísticas desses dois calibres, uma pesquisa no YouTube pode tirar uma série de dúvidas rapidamente.

E para que eles foram criados?

O calibre .380 ACP foi criado como uma variante do .32 ACP, largamente usado à época pela Pocket Hammerless 1903 da Colt, para isso, foi necessário apenas uma modificação no cano e no carregador da arma. Sendo assim, toda sua criação foi baseada em defesa pessoal e porte velado, pois o tamanho reduzido das armas que o utilizaram desde então facilitavam seu uso.

O 9mm nasceu designado para a guerra e inicialmente possuía núcleo de chumbo, porém durante a Segunda Guerra Mundial, passaram a usar jaquetas de ferro para que o chumbo do projétil fosse conservado. E de lá pra cá, temos os projéteis revestidos de cobre que nos acompanham.

Qual é a melhor?

Vamos lá, sem polêmicas, apenas análise fria, vimos que o calibre .380 ACP é relativamente mais barato, tem menos recuo, a recuperação de visada é mais simples e em tese as armas que o utilizam são menores e mais leves, enquanto o 9mm é um pouco mais caro, e é mais forte em absolutamente todas as “disputas”.

A escolha entre um ou outro hoje vai depender da sua necessidade e da sua avaliação. Por isso sempre recomendo que se há interesse em adquirir uma arma, procure um clube de glock“>tiro e converse com pessoas que possam te passar uma avaliação de vivência com o calibre escolhido.

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Fonte: Diffen (texto traduzido e adaptado por Portal Armas de Fogo)




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