Riscos da(s) crise(s) | O TEMPO – Armas Online

Bolsonaro entrou em rota extremamente perigosa ao escolher o enfrentamento ao entendimento. Apesar da população ainda acreditar que ele não deveria renunciar, o presidente possui patamares preocupantes de aprovação diante da crise imposta pelo coronavírus. Os embates com o Congresso, judiciário e governadores ainda podem pesar mais adiante. Explico.

Não há dúvida de que a crise enfrentada atualmente contaminou o governo e suas consequências podem inviabilizar os rumos pensados por sua equipe para o resto de seu mandato. A economia certamente entrará em forte retração e até recobrar seu ritmo trazendo resultando reais para a população será o fim do mandato. O Planalto sabe disso e Bolsonaro tenta descolar sua imagem deste insucesso ao jogar o peso do efeito econômico nos governadores.

Mas os riscos podem ir além. Em um cenário de escalada do coronavírus aliada ao pesadelo dos bolsos e geladeiras vazias podemos estar diante de um cenário muito mais preocupante. Sem uma rede de proteção social efetiva que segure os efeitos da crise, o país pode se tornar refém de uma revolta popular, com saques e tumultos tomando as ruas de diversas capitais.

Por certo não gostamos deste cenário, porém é uma variável real que o governo precisa manter em seu radar com ações efetivas de contenção de distúrbios desta gravidade. Para manter a ordem, Bolsonaro precisa de efetiva liderança para tomar as medidas cabíveis, sob pena de perder o controle do país. Ao confrontar as instituições, não tem construído pontes que o auxiliem a atravessar a tormenta da crise. Uma atitude preocupante que pode trazer consequências graves para seu mandato.

Aos poucos, diante do destaque e postura de alguns ministros, o governo vem se distanciando do presidente. O caso mais recente é na pasta da Saúde, mas esta é uma realidade que já se tornou evidente nas pastas da Economia e da Justiça, passando inclusive pelo núcleo militar. O descolamento do governo diante do presidente acusa falta de liderança. Ao perder o controle do mandato, corre o perigo de tornar-se um passageiro de um governo que não reconhece mais sua autoridade. Este é um risco que Bolsonaro está assumindo diante de sua postura de enfrentamento e aposta na polarização.

Estaríamos encarando uma pressão política e econômica simultânea, mais conhecida como tempestade perfeita. Neste caso com requintes de sofisticação, uma vez que a crise política pode se tornar apenas o resultado do encontro das consequências da pandemia aliadas a uma brutal estagnação econômica. Se ainda contiver o componente de combustão social, as saídas para Bolsonaro serão poucas. A política, colocada em xeque pelo capitão, não hesitará em cobrar esta fatura com juros e troco.

Ainda é possível reagir. Bolsonaro precisa construir pontes, como tem feito Hamilton Mourão, aproximar-se do Congresso, governadores e de seus ministros, apoiando suas políticas, recolhendo as armas e ataques. É momento de partir em direção do entendimento e da união antes que seja tarde demais e o poder tenha se esvaído de suas mãos.




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