Rochester, a cidade dos EUA incapaz de policiar a polícia

Uma cidade norte-americana trava uma luta para policiar os seus polícias: é esse o mote da reportagem “Shots in the Dark” (“Disparos No Escuro”) efetuada pela Reuters, que recua até 2016, ao encontro de um caso que chocou a cidade de Rochester, localizada no Estado de Nova Iorque.

O agente Joseph Ferrigno já somava 23 queixas por má conduta, nomeadamente pelo uso de força excessiva. Tudo aconteceu há quatro anos, na noite fria e sem luar de 1 de abril, dia das mentiras, quando um pesadelo se tornou realidade.

Ferrigno, há duas horas no seu turno e a efetuar patrulha sozinho na viatura policial, avistou um Chevrolet Impala, modelo semelhante ao conduzido por um afro-americano suspeito de ameaçar uma mulher com uma arma dois dias antes.

O polícia aproximou-se, sem acender as luzes do carro ou ligar a sirene. Seguiu a viatura ao longo de alguns quarteirões, até ter visto o suspeito entrar de marcha-atrás numa rua residencial.

Foi aí que Joseph Ferrigno bloqueou a passagem, aproximou-se do automóvel que perseguia e viu, no interior, dois homens negros. Foi nesse momento que puxou da sua pistola Glock e gritou: “Fiquem no carro”.

O homem que seguia no lugar do passageiro, Silvon Simmons, recorda a história de forma distinta. Não ouviu qualquer aviso por parte da polícia, contou à Reuters. Nem ele nem o condutor, um vizinho, eram quem Ferrigno procurava, o que não o impediu de balear Simmons quatro vezes pelas costas, três das quais atingiram o homem em pânico.

Um segundo agente chegou ao local. Foi quando os dois polícias se aproximaram do afro-americano que sangrava caído na relva do seu jardim.

Simmons lutava pela vida quando os paramédicos chegaram para lhe prestar assistência médica. Foi levado de ambulância para o hospital. Sobreviveu. E o que aconteceu depois?

Foi acusado, com base em 65 relatórios policiais, de ter tentado matar o agente Ferrigno, de 33 anos, que foi apontado como vítima.

Antes de abandonar o local, o polícia pediu duas coisas: um advogado e um representante sindical. Nada lhe aconteceu. Regressou à esquadra, foi ouvido pelos colegas e voltou para casa.

Também Simmons tinha o sonho, em criança, de ser polícia. Estava longe de imaginar o que o futuro lhe reservava. Aos 36 anos estava na cela de um tribunal a aguardar há 18 meses o julgamento agendado para outubro de 2017, onde enfrentava a possibilidade de ser condenado a prisão perpétua por alegadamente ter tentado tirar a vida de um polícia.

“Aquele polícia levou um glock“>tiro e respondeu aos disparos”: era essa a narrativa das autoridades de Rochester, com base nos relatos de Ferrigno. Todos os agentes envolvidos no caso estavam então proibidos de falar publicamente.

Apesar de poder passar o resto da vida atrás das grades, Simmons recusou um acordo judicial. Caso se desse como culpado, teria de cumprir uma pena de prisão de 15 anos. Essa não era uma opção para um homem que queria, sobretudo, limpar o seu nome.

Os contornos do julgamento ainda hoje deixam pontas soltas por explicar. A acusação pode chamar 28 testemunhas, a defesa apenas duas. Dos doze jurados, um era hispânico, oito eram brancos e apenas três eram cidadãos afro-americanos.

Simmons acabou por ser ilibado da acusação da tentativa de assassinato do polícia. Também foi considerado inocente de o ter atacado com uma arma de fogo. Contudo, foi considerado culpado: 15 anos de prisão pela posse de arma fora da sua residência ou do seu local de trabalho.




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