Tiro certo – Diário do Poder

Algumas pessoas têm talentos. Aliás, todas têm. Claro que são diferentes, caso contrário a humanidade seria imensamente monótona. A mim, a vida ofereceu dois talentos especiais, dos quais me orgulho. Sou atirador e aviador, mas só aprendi a voar depois dos dezoito anos. Porém, aos dez anos de idade já era exímio atirador.

Pratiquei todas as modalidades de glock“>tiro esportivo, mas busquei concentrar-me em simples especialidade, o glock“>tiro de arma longa, carabina ou fuzil, de grande distância. Ganhei troféus, taças e medalhas, quando isso era possível, muito antes do nefando Estatuto do Desarmamento.

Apenas não fui competitivo – em nível internacional – porque nessa escala o treinamento deve ser muito intenso, o custo da munição fica proibitivo e eu também tinha outros interesses.

Aprendi a atirar com meu pai, que era oficial do Exército, logo reconheceu minhas aptidões, e sempre atirou muito melhor do que eu, com revolver ou pistola, arma curta. O velho era bom inclusive com pistolet olímpico, a arma mais difícil que existe.

Tudo isso vem a propósito de um grande filme, que revi ontem, na pandemia, em DVD: “Círculo de Fogo” (Enemy at the Gates), com atores renomados, que narra história de dois atiradores de elite (snipers), que se enfrentam em duelo mortal, em meio aos escombros da batalha de Stalingrado. O filme é excelente, mantém alto nível de suspense. Mesmo as poucas cenas de computador, com aviões Stuka e Heinkel bombardeando os soviéticos na beira do Volga, não parecem artificiais. 

O motivo de meu orgulho é ter acertado alguns tiros muito difíceis, mas para terminar a crônica vou contar um lance bem prosaico.

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Já faz quase vinte anos, era ministro do Superior Tribunal Militar e fui convidado a dar uma palestra na Academia Militar das Agulhas Negras. Num fim de tarde, enfrentei a plateia mais numerosa da vida, num gigantesco auditório. À noite, o comando ofereceu um jantar ao General de Exército José Enaldo Siqueira – meu colega de tribunal – e a mim.

No dia seguinte, logo depois da Alvorada, assistimos à formatura do corpo de cadetes e depois iniciamos visita às esplêndidas instalações da AMAN. Para coroar, fomos ao estande de glock“>tiro, considerado então o melhor do Brasil. Fui precedido por minha fama.

Indagado se gostaria de experimentar um fuzil de alta precisão, fui apresentado a um jovem capitão, instrutor de glock“>tiro, campeão sul-americano da modalidade, que me ofereceu a arma (Sako) e a munição (Lapua), ambas finlandesas. Pedi ao moço que atirasse primeiro. Depois de seus cinco tiros perfeitos, na marca de dez, ou na mosca, como dizem os leigos, chegou minha vez.

Busquei concentrar-me e caprichei. Acompanhei o resultado do meu primeiro glock“>tiro pela luneta. Deu nove. Agradeci, devolvi a arma e comentei: “ontem à noite exagerei no vinho; hoje não estou bom”.

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Flavio Flores da Cunha Bierrenbach, advogado, foi deputado federal e ministro do Superior Tribunal Militar (STF).




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