Vendedores de armas recorrem a tática nova para operar no Facebook – 26/08/2020 – Mundo

Vendedores de armas adotaram uma tática nova para atrair compradores no Facebook —um ano depois de legisladores democratas terem pedido ao executivo-chefe da empresa, Mark Zuckerberg, uma fiscalização melhor da proibição da venda de armas de fogo na rede social.

De modo semelhante ao Craigslist, o Facebook Marketplace permite que os mais de 2,7 bilhões de usuários da plataforma publiquem listas de artigos que querem vender, com preços e descrições de cada um. A empresa exclui muitos itens, incluindo as vendas particulares de armas de fogo e munições.

Em 2019, o Wall Street Journal noticiou que dezenas de vendedores em dez cidades americanas estavam anunciando rifles e armas de mão no site, mas disfarçando os itens como estojos ou caixas vazias de armas. Muitos dos posts incluíam fotos dos estojos com os logotipos dos fabricantes das armas.

Uma nova tática que está sendo usada agora envolve posts que supostamente vendem adesivos, ao lado de imagens de logotipos de fabricantes de armas. Os vendedores geralmente pedem que os interessados enviem uma mensagem particular pelo Facebook para solicitar mais informações.

Vários vendedores com os quais o WSJ entrou em contato disseram que na realidade estão vendendo armas, não adesivos, e fornecendo detalhes e preços dos equipamentos.

Ao longo de dois dias neste mês, usando uma busca simples por “adesivos de armas” ou “adesivos”, o WSJ encontrou mais de 40 posts que supostamente anunciavam adesivos, que apareciam ao lado de imagens dos logotipos de fabricantes de armas ou de uma munição de calibre particular.

Após uma busca, o algoritmo de recomendações do Facebook ofereceu a um repórter do WSJ uma página inteira com mais de 50 posts semelhantes feitos em vários estados americanos.

Uma análise separada realizada em um dia da semana passada pela Storyful —consultoria de mídias sociais ligada ao Wall Street Journal— identificou mais de uma dúzia de anúncios de adesivos de logotipos de armas de marcas populares, incluindo a Smith & Wesson Brands Inc. e a Remington Outdoor Co., em dez cidades americanas.

Em Lexington, Kentucky e San Angelo, no Texas, por exemplo, a busca encontrou dois anúncios em cada cidade de adesivos ligados a marcas de armas de fogo. Alguns fabricantes de armas possuem perfis no Facebook, mas não há indícios de que eles vendam armas de fogo na rede social.

Um vendedor de Amory, no Mississippi, postou o logotipo da Glock Ges.m.b.H., fabricante austríaca de armas semiautomáticas, descrevendo o item anunciado como um “adesivo 0,40” oferecido por US$ 450 (R$ 2.505).

Ele também postou “PM for info” (mensagem privada para informação), uma maneira abreviada de pedir que os interessados enviem uma mensagem privada por meio da plataforma Facebook Marketplace para pedir mais informações. Contatado pelo WSJ, o vendedor disse que estava na realidade oferecendo uma pistola Glock calibre 40.

Outro vendedor, este em Beech Grove, no Tennessee, anunciou um “ótimo pequeno adesivo de 22 polegadas” por US$ 300 (R$ 1.670), ao lado de uma imagem do logotipo da Savage Arms Inc., fabricante de armas com sede em Westfield, em Massachusetts.

Por mensagem privada, enviou fotos de um rifle semiautomático calibre 22. Dois outros autores de posts com os quais o WSJ entrou em contato confirmaram que estavam vendendo armas de fogo, não adesivos.

Como parte de um relatório trimestral em que explica como fiscaliza conteúdos em seu site, o Facebook anunciou neste mês que entre abril e junho de 2020 removeu 1,3 milhão de conteúdos ligados a armas de fogo, número semelhante ao dos primeiros três meses do ano.

O Facebook não especificou no relatório, nem quando foi questionado sobre isso pelo WSJ, se os conteúdos retirados estavam no Marketplace ou na linha do tempo individual de usuários.

“Tomamos medidas contra todos que flagramos tentando vender armas em nossa plataforma”, disse uma porta-voz do Facebook quando questionada sobre a proliferação de posts no Marketplace anunciando adesivos de fabricantes de armas. “Já removemos anúncios flagrados e vamos continuar a investigar.”

A nova tática surgiu em um momento em que cada vez mais americanos vêm comprando armas. O boom está sendo atribuído à pandemia do novo coronavírus, à turbulência civil relacionada ao assassinato de George Floyd e aos esforços em algumas cidades para deixar de financiar as forças policiais.

Ela ocorre também num momento em que a capacidade do Facebook de policiar conteúdos em seu site é questionada em várias frentes. Na esteira da pandemia, teorias conspiratórias sobre o vírus vêm proliferando na plataforma, segundo a NewsGuard, que monitora sites que divulgam informações dúbias.

O Facebook disse que já tirou do ar centenas de milhares de desinformações que considera prejudiciais e que está direcionando seus usuários para fontes de informação pertencentes às autoridades de saúde.

Em separado, a rede social vem sendo acusada de aplicar as normas sobre discursos de ódio de maneira desigual pelo mundo afora. O Facebook disse que proíbe discursos de ódio globalmente “independentemente da posição política ou filiação partidária das pessoas”.

Vendas particulares de armas de fogo são permitidas por lei nos EUA. As vendas entre Estados devem passar por negociantes licenciados de armas, mas é raro alguém ser processado quando isso não ocorre.

Pessoas impedidas de possuir armas devido a restrições estaduais ou federais podem procurar mercados online ou sites de mídia social para evitar checagens de antecedentes quando fazem uma transação.

Como o restante do site, o Marketplace do Facebook usa uma combinação de algoritmos de inteligência artificial e moderadores humanos para identificar e eliminar posts que violam suas políticas, como anúncios de armas, drogas ou animais, diz a empresa.

Em 2019, depois de o WSJ ter noticiado que armas de fogo eram anunciadas como caixas ou estojos, um grupo de 15 senadores democratas, incluindo a agora candidata a vice-presidente Kamala Harris, escreveu ao Facebook pedindo informações sobre como a empresa fiscaliza vendas de armas no Marketplace.

O Facebook respondeu aos senadores com uma carta dizendo que estava construindo novas ferramentas de detecção de violações das regras e aumentando sua equipe de funcionários que reveem os anúncios postados no Marketplace. O senador democrata Bob Menendez, que liderou a investigação do governo, disse que o fato de as vendas de armas continuarem a acontecer sugere que os revisores do Facebook estão fazendo “um péssimo trabalho”.

O engenheiro de áudio Rob Disner, que em seu tempo livre rastreia suspeitas vendas de armas no Facebook e diz não ser filiado a grupos antiarmas, afirma que desde janeiro já repassou a moderadores do Facebook mais de cem posts de logotipos de fabricantes de armas assinalados como adesivos.

Ele foi avisado pelo Facebook que cerca de metade desses casos foi revista. Mas, segundo ele, nenhum dos posts foi tirado do ar. Disner comentou que é fácil identificar que os anúncios se referem a armas e que isso geralmente é confirmado quando se envia uma mensagem a um vendedor.

Disner disse que o algoritmo do Facebook agora lhe mostra esses posts automaticamente sempre que ele entra no site. “Quando você começa a procurar adesivos, eles aparecem em seu feed o tempo todo”, disse.




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